Contra-Senso

Autor: Espírito Valérium

Alguém bate à porta da principesca.
Ela, a dona da casa, atende.
Abre a porta e encontra pobre velhinho à frente.
Andrajoso. Cansado. Feridento.
É um pedinte que roga auxílio.
Fria e insensivelmente, ela despede o visitante, dizendo nada ter que possa dar.
E volta resmungando à intimidade doméstica, maldizendo o infeliz.
- É malandro! - Declara.
E acrescenta:
- Para os vadios, só a cadeia.
Nisso, pequeno rato desliza-lhe pelos pés.
Assustadíssima, pede por socorro.. Chora.
Fecha-se, superexcitada, em quarto próximo, a lastimar-se.
Bate-lhe o coração fortemente, as mãos tremem, a face está lívida e, por fim, depois de um copo d`água, procura o festejado gato de estimação para exterminar o camundongo.


Assim são muitas de nossas comoções.
Não vibramos ante os quadros dolorosos que pedem ajuda e agitamo-nos, agoniados, diante de incidentes banais.


Amigo, controle a sensibilidade, vigiando reações e policiando as idéias, para que o rendimento maior dos seus dias, à luz do Evangelho Vivo, seja realidade em seu caminho.

Recorde que muita gente na Terra enfeita gatinhos prediletos e se enoja diante de irmãos em luta.

E há milhares de almas outras que exibem clamorosa frieza ante os apelos do bem e mostram imensa emoção à frente de um rato.

Do livro "Bem-Aventurados os Simples"
Psicografia: Waldo Vieira