Reação Infantil

Autor: Espírito Valérium

A mãe zelosa e dedicada leva o pequeno ao banho.

Despe-lhe a roupa.

Mas o petiz começa a choramingar.

A jovem mãe procura acalmá-lo, imergindo-o na água pura.

Entretanto, o bebê prossegue incompreensivo.

Desesperado, revolta-se contra a água, contra o frio, contra o sabão e, ele mesmo, impulsivo, esfrega espuma nos olhos, a debater-se, esperneante, afogando-se, quase.

Instantes após, a mãe satisfeita enxuga-lhe a pele rosada, com toalha macia.

Ele sorri, depois da crise, e descansa contente, enfim.


Assim tem sido, quase sempre, a nossa reação perante a dor.

Quando aparece a benfeitora divina, choramos, gritamos e esbravejamos e, não raro, quase nos sufocamos no desespero.


Tudo isso, porém, é reação infantil, descabida e forjada pela nossa própria inexperiência.

Quando a dor passa, saibamos todos, há sempre em nós a benção da purificação e a felicidade da melhoria.

Do livro "Bem-Aventurados os Simples"
Psicografia: Waldo Vieira